Saúde 
Ioga: uma importante aliada contra a menopausa
A menopausa é uma fase polêmica na vida da mulher, na qual a produção de hormônios se torna irregular e surgem sintomas desagradáveis, como irritação constante, ondas de calor e insônia. A prática de esportes e a adoção de hábitos saudáveis podem ser importantes aliados da mulher nesse período. É aí que entra a ioga.
Essa técnica oferece a melhora do desempenho físico respeitando o ritmo biológico de cada um. "O maior erro das pessoas é pensar que a ioga é uma alternativa para a reposição hormonal. Na verdade, ela é um conjunto de exercícios especiais para reativar a produção de hormônios e aliviar os sintomas desagradáveis desta fase", explica Dinah Rodrigues, iogaterapeuta especializada em terapia hormonal.
Estudiosa da menopausa desde 92, Dinah, escreveu um livro sobre os benefícios da ioga para as mulheres nessa fase: Yoga Terapia Hormonal para a Menopausa, fruto de um trabalho de 12 anos. "Fiz uma pesquisa com as minhas alunas e constatei a baixa dos sintomas típicos da menopausa, como as ondas de calor, a depressão, a enxaqueca, etc.", exemplifica a autora, que ministra cursos e palestras no Brasil e no exterior.
A ioga tem garantido efeitos satisfatórios a muitas alunas, com a considerável diminuição dos sintomas da menopausa, gradativamente substituídos pelo aumento da disposição, da alegria e da vitalidade. "Eu me odiava por não conseguir lidar com os problemas da minha idade. Há dois anos, comecei a prática da ioga terapia hormonal e os benefícios são tantos que hoje até me aceito melhor", diz Ana Maria Nicchio Santos, de 53 anos.
Dentre os hábitos saudáveis, está a mudança da dieta alimentar. "O consumo de conservas e de carnes embutidas é nocivo. Substituir refrigerantes por sucos naturais; frituras por assados, grelhados ou cozidos; leite integral por desnatado é recomendável", diz a instrutora e especialista em terapia hormonal pela ioga, Lúcia Fávaro. "Entretanto, o acompanhamento médico é essencial para garantir uma menopausa tranqüila", ressalta.
Escrito por Erika Horigoshi às 18h39
[envie esta mensagem]
[link]
|
Entrevista: Maia Hirasawa 
Um dos novos talentos do meio musical europeu é uma mistura nipo-sueca de muita autenticidade
Um dos mais comentados novos talentos da Europa é uma mistura de Suécia e Japão. Maia Hirasawa, 27 anos, é cantora, compositora e produtora. Ela começou como backing vocal na banda sueca Hello Saferide – na qual ainda participa –, mas, em 2007, sua carreira deu uma reviravolta quando Maia resolveu lançar um single solo de nome And I found this boy (E eu encontrei este rapaz), que se tornou um grande sucesso nas rádios da Suécia. O single foi seguido por seu primeiro álbum solo, Though, I'm just me (em português, algo como: "De qualquer forma, sou apenas eu") e por um outro single, Gothenburg.
Atualmente, Maia é uma das artistas mais prestigiadas do meio musical na Suécia e sua fama está chegando a outros lugares da Europa e em países como Japão, China e Brasil. Em 2007, a artista esteve por aqui, fazendo, inclusive, shows no Sesc Vila Mariana – na capital paulista – e gostou bastante da experiência. A boa fase de Maia também inclui uma indicação ao prêmio sueco de música independente Manifest na categoria melhor performance ao vivo.
Erika - Como você começou na carreira de cantora? Você recebeu alguma influência de seus pais a esse respeito?
Maia - Eu comecei a cantar um tanto "tarde", quando tinha 16 anos. Alguns amigos meus da escola perguntaram se eu queria me juntar a eles em uma banda cover. Já a primeira vez em que eu cantei solo no palco foi quando eu tinha 17 anos e eu amei essa experiência. Foi como encontrar a minha casa de uma maneira romântica. Antes, eu só tocava piano clássico, mas parei quando comecei a cantar. Tenho uma grande família, mas sou a única que trabalha com música. Porém, meus parentes sempre me apoiaram em minha carreira.
Erika - Seu trabalho é conhecido como o de uma artista independente. Como você explica essa definição em sua música?
Maia - Talvez pelo fato de eu fazer parte de um selo musical independente, porque eu não chamaria minha música de "indie" (maneira pela qual alguns europeus denominam a música alternativa, produzida por artistas que não foram lançados por grandes gravadoras). Mas eu sou muito independente e cuidei de várias fases de produção do meu álbum de estréia (Though, I'm just me, em português, algo como: "De qualquer forma, sou apenas eu"): produzi, gravei e escrevi todas as músicas.
Erika - A carreira de um artista independente é complicada no Brasil. O mesmo acontece na Suécia?
Maia - Bem, é sempre difícil fazer carreira, se você é um artista que não tem toneladas de dinheiro para se promover e se você não joga comercialmente com as estações de rádio. Entretanto, há cada vez mais novos artistas, agora, na Suécia, e eles não estão chegando por grandes gravadoras. Estou muito feliz com a minha carreira aqui, em meu país.
Erika - Há influências orientais em sua música? Você põe algo da mistura de culturas japonesa e sueca em suas canções?
Maia - Não, eu não diria isso. Sou muito feliz pela mistura de povos da qual sou uma descendente, mas, para ser honesta, não sei muito sobre a música japonesa. Eu diria que há mais influências suecas e inglesas em meu trabalho.
Erika - Você já foi alguma vez ao Japão? O que achou do país?
Maia - Sim! Já estive lá sete vezes e amei o Japão! Eu me considero uma pessoa de sorte, agora, por poder viajar para lá a trabalho – foram três vezes só em 2007. A comida japonesa é maravilhosa e as pessoas são prestativas e me trataram muito bem. Porém, eu gostaria de falar melhor o idioma japonês e vou tentar praticar um pouquinho a cada dia.
Erika - Você pensa em voltar ao Brasil? Há planos para você fazer outros shows por aqui?
Maia - Bem, eu gostei muito do Brasil, muito mesmo, então espero retornar a esse país. Entretanto, não tenho planos para isso a curto prazo. Mas, se os brasileiros divulgarem a minha música, é possível que eu volte outras vezes, sim!
Erika - Você é uma jovem artista e sua música parece ser muito bem aceita pela crítica especializada na Suécia e no restante da Europa. Quais são seus próximos planos?
Maia - Bem, atualmente, estou escrevendo uma canção para uma novela da TV sueca. É muito legal fazer música do jeito ao qual estou acostumada. Então, tenho expectativas de lançar um novo álbum, mas não sei ainda quando isso vai acontecer. Já estou compondo novas músicas e, em abril, eu vou para a China com a minha outra banda, a Hello Saferide, e faremos também uma pequena passagem pelo Japão.
* Publicado na edição 7 – março de 2008 – da revista Zashi
Escrito por Erika Horigoshi às 15h44
[envie esta mensagem]
[link]
|
Cinema 
A batalha das quatro esposas
Zhang Yimou explora a fundo o psicológico feminino em Lanternas Vermelhas
Songlian (interpretada por Gong Li) pensava que seu único problema seria conquistar a atenção do senhor feudal com o qual havia se casado forçadamente, após a morte de seu pai, quando chegou às terras do marido carregando apenas uma maleta surrada. Entretanto, ao deparar-se com outras três esposas já com filhos, sua preocupação tomou outras formas. A partir daquele momento, o maior desafio da jovem seria, sem dúvida, sobreviver às perversas intrigas elaboradas pelas três outras mulheres do senhor feudal enciumadas de sua juventude e beleza.
É a partir desse fio condutor que o cineasta chinês Zhang Yimou conduz a trama de Lanternas Vermelhas. É interessante o paradoxo oferecido pela história, cujo pano de fundo é a China feudal – dominada pelo sexo masculino – e a ação, que é praticamente toda conduzida pelas quatro mulheres escolhidas para serem "as quatro senhoras", ou, como chamavam umas as outras, "as irmãs".
Universo psicológico
Uma das características que mais chamam a atenção do espectador é o traço psicológico que o enredo do longa destaca para contar o drama de Songlian. O que inicialmente se revela pouco amistoso, toma ares estratégicos e é recheado de motivações alegres e tristes, à medida que a protagonista passa a entender o "funcionamento" das rígidas tradições familiares que comandam a vida do senhor feudal e, conseqüentemente, de suas quatro esposas. O homem é, na verdade, manipulado pelos caprichos de suas mulheres. O passatempo delas é usar de seus artifícios a fim de atrair para si a atenção do marido e, dessa maneira, demonstrar poder perante as demais.
O tema central de Lanternas Vermelhas não é a disputa entre os chamados "sexo forte" e "sexo frágil". Claramente, o maior desafio das esposas é superarem a si mesmas e às concorrentes. A atenção do senhor feudal é apenas o prêmio, conquistado após uma gratificante competição na qual inteligência, astúcia e autocontrole são essenciais para fazer com que os objetos referenciados no título do filme sejam acesos na porta da casa da esposa escolhida – maneira a qual o senhor feudal determinou para anunciar com qual mulher passará a noite.
Indiscutivelmente, as brilhantes atuações de Gong Li, Caifei He (Meishan, a terceira esposa) e Cuifen Cao (Zhuoyan, a segunda esposa) são fundamentais para dar compor a trama psicológica da produção e conferir brilho ao filme. Jingwu Ma, o ator que interpreta o senhor feudal, não teve tanto trabalho, na verdade. O mérito de Lanternas Vermelhas é todo das mulheres.
Ficha técnica
Lanternas Vermelhas
Gênero: Drama
Duração: 125 minutos
(China, Hong Kong e Taiwan/1991)
Escrito por Erika Horigoshi às 15h09
[envie esta mensagem]
[link]
|
Educação 
Uma boa amostra do folclore japonês
Obra de José Arrabal traz lendas da terra do Sol Nascente sob o selo oficial do centenário da imigração
Quando perguntado sobre o porquê de escrever um livro de lendas japonesas, José Arrabal é enfático: "O impulso que me levou a escrever Histórias do Japão liga-se à minha infância por muitos segmentos. Os mais constantes amigos de meu pai no correr de meus dias de menino foram um senhor de origem árabe, outro de origem judaica e mais outro originário de Okinawa, todos sempre presentes em nossa casa, com nossa firme estima por eles e suas famílias".
Esse ponto de partida já oferece uma boa idéia da admiração do autor pelos diversos povos do planeta, inclusive o japonês, suas crenças e suas tradições. Esse interesse é a base de Histórias do Japão, um bem escrito apanhado de oito lendas que misturam as convicções de Arrabal - que é jornalista, professor universitário e também tradutor - sobre as tradições do arquipélago e personagens típicos do imaginário japonês. Até mesmo a ordem - com a lenda sobre a criação do mundo na abertura e a lenda sobre o retorno do sol no encerramento - colaboram para boa organização das narrativas que compõem a obra.
Além da primeira e da última lendas, referentes à mitologia japonesa, o livro ainda traz as seguintes histórias, contadas de forma talentosa por Arrabal: "O espelho", "O samurai", "A princesa da Lua", "O monge e a carpa", "As duas rãs" e "Kazan e Ruri". Em comum, elas trazem lições da sabedoria do Oriente, fortemente marcadas pelas estações do ano, e com um toque de felicidade inegavelmente brasileiro. Uma feliz mistura cultural.
"Histórias do Japão é, para mim, um livro que sempre trouxe resultados felizes", explica o autor. O resultados felizes aos quais ele se refere são a indicação altamente recomendável que a obra recebeu, em 2005, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; a seleção para integrar o Cantinho da Leitura, pela Secretaria da Educação de Goiás; a escolha, pela Prefeitura Municipal de São Paulo, para compor o programa Biblioteca - Quem lê vai mais longe; e o recebimento do selo comemorativo do centenário da imigração japonesa no Brasil, neste ano, dentre outras conquistas.
As belas ilustrações do artista plástico Douglas Okazaki são um recurso a mais para ressaltar o espírito oriental das lendas. Uma atração à parte no livro é o ensaio deixado por Okazaki, no final, com desenhos de página inteira referentes às narrativas contadas em Histórias do Japão: belas letras e belos traços.
Serviço Histórias do Japão Autor: José Arrabal Ilustrações: Douglas Okazaki Editora: Peirópolis Páginas: 116 Preço: R$ 24
Escrito por Erika Horigoshi às 14h43
[envie esta mensagem]
[link]
|
Especial 
O Japão na visão do cinema ocidental
Grandes produções hollywoodianas têm o Japão como tema central. Será, entretanto, que esses megassucessos conseguem transpor para a Sétima Arte de forma fiel os elementos culturais da sociedade japonesa? Até que ponto um filme de grande bilheteria consegue aliar um grande investimento com uma iniciativa acertada no processo de formação da imagem cultural de um país oriental no Ocidente?
O Ocidente quer saber saber mais sobre o Japão. Bem, isso é o que se pode concluir com base nas diversas iniciativas que, tendo o Japão como tema, tem atraído a atenção de um número cada vez maior de pessoas "deste lado do globo". No mundo do cinema, esse fenômeno não é diferente. Ao longo dos últimos anos, Hollywood conseguiu implacar nas telas de vários países, não apenas dos Estados Unidos, verdadeiros "blockbusters", grandes filmes de sucesso de bilheteria e de público.
Para aqueles que, não tendo contato maior com a cultura japonesa nem tipo algum de ascendência familiar, assistir a esses filmes pode ser uma "porta de entrada" para entender mais sobre o povo do País do Sol Nascente. Entretanto, esse processo se torna preocupante quando as produções cinematográficas em questão não passam uma impressão muito próxima à realidade que os japoneses vivem ou já viveram anteriormente. Nesse contexto, fica a questão: até onde a inverossimilhança na transposição de elementos culturais para as telas de cinema podem interferir na imagem que seus espectadores passam a ter sobre o Japão?
Tesouros culturais japoneses: o samurai
Pelo menos duas grandes produções do cinema americano sobre o Japão tiveram grande impacto sobre o público e também refletiram em enormes sucessos de bilheteria. Trata-se d'O Último Samurai e de Memórias de uma Gueixa, tramas que têm em comum o contato com fortes figuras do universo cultural japonês e que, nessa mescla, apresentam um perceptível "embate" que caracteriza produções que procuram ter essência oriental, a exemplo de suas tramas, mas que, por razões até comerciais, possuem traços da produção de mercado ocidental. "O Último Samurai é uma produção americana e, como tal, retrata a figura do samurai de acordo com os estereótipos característicos do cinema americano", diz Marco Souza, professor doutor em Comunicação e Semiótica, pesquisador e editor da Revista Eletrônica Yûkei e-zine do Centro de Estudos Orientais da PUC de São Paulo. "Acredito que O Último Samurai tenha tentado realizar uma abordagem convincente sobre um dos ícones da cultura japonesa, mas acabou caindo numa adaptação do imaginário da platéia americana, sobrecarregada pelo lado poético", complementa a pesquisadora do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP e da Escola Modelo de Língua Japonesa de Goiás, Cecília Noriko Saito.
Entretanto, pelo ponto de vista cinematográfico, O Último Samurai consegue cumprir relativamente bem o difícil trabalho de levar a platéias ocidentais um pouco sobre o importante período histórico retratado no filme. "Acredito que não seja a função de um filme de ficção, mesmo de uma cinebiografia, retratar fielmente os conceitos. Esse tipo de função caberia em alguns tipos de documentários. O Último Samurai trata de um herói que perdeu a honra e a crença por acatar ordens de seus superiores e que irá recuperar sua crença por meio dos valores samurais", observa Marcos Takeda, coordenador de cursos da Educine, Associação Cultural Educação e Cinema. Segundo ele, a produção estrelada por Tom Cruise e Ken Watanabe foi respeitosa e conseguiu passar para o espectador o valor do samurai.
Ricardo Matsumoto, editor da revista SET, concorda com Takeda: "Em minha opinião, O Último Samurai é um filme brilhante. Mostra com extremo respeito a cultura japonesa, principalmente no que se refere à relação familiar entre pai e filho. O filme não é uma unanimidade, mas eu a considero uma produção de primeira linha", avalia.
As gueixas de Hollywood e o público japonês
Unanimidade é uma palavra que não se pode aplicar à megaprodução Memórias de uma Gueixa. Sucesso de bilheteria entre 2005 e 2006, a produção assinada por Steven Spielberg causou grandes manifestações no Japão, pelo fato de utilizar atrizes chinesas nos papéis de gueixas e pelos inúmeros erros conceituais presentes na película. "As críticas são procedentes. As atrizes chinesas não conseguiram interpretar a essência de uma figura feminina japonesa. Não basta a 'embalagem' para se tornar gueixa. Os gestos, o olhar e a postura denunciam que elas não são japonesas. As críticas vieram do público japonês, justamente pelo fato de as gueixas do filme serem tão inverossímeis, que fizeram com que o filme transmitisse uma inverdade ao público que desconhece a cultura japonesa", analisa Maria Fusako Tomimatsu, diretora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa da Assessoria de Relações Internacionais da Universidade Estadual de Londrina.
De acordo com Marco Souza, a superprodução protagonizada por Zang Ziyi e Ken Watanabe foi prejudicada em sua aproximação com a realidade da verdadeira gueixa por obedecer a questões práticas e mercadológicas: "A escolha das atrizes chinesas levou em conta o fato de elas serem conhecidas do mercado americano".
Já Marcos Takeda apresenta um ponto de vista mais concessivo em relação à produção inspirada na história real de Mineko Iwasaki. "Algumas das chamadas licenças poéticas são realmente necessárias para que o filme não crie aversão ao público. Um exemplo disso é que, hoje, mostrar uma história antiga e seguir fielmente costumes históricos, como o casamento entre homens e meninas adolescentes de 12, 13 anos é considerado um absurdo; entretanto, era o que ocorria", cita.
As críticas gerais, contudo, tanto do povo japonês, quando do restante do público minimamente conhecedor dos costumes do país oriental de fato tiraram o brilho da película de orçamento milionário (mais de US$ 80 milhões). "Particularmente, não gosto de Memórias de uma Gueixa. E não é pelo fato de terem colocado atrizes chinesas nos papéis principais, mas porque o filme é, realmente, ruim. Trata-se de um exemplo de como Hollywood pode dar uma visão errada da cultura japonesa", opina Ricardo Matsumoto.
Um mesmo assunto; ângulos diferentes
Nesse grupo de produções hollywoodianas sobre o Japão, Cartas de Iwo Jima e Questão de Honra certamente constituem um caso à parte. Produções que abordam temas delicados, como guerras já são vistas de forma diferente pelo mercado. Em geral e proporcionalmente ao trabalho de pesquisa realizado, elas passam a integrar a "categoria" de fidelidade que beiram a dos documentários. "As perspectivas mostradas por ambos são distintas e, em tempos de atitudes politicamente corretas, Cartas de Iwo Jima surge como uma possibilidade de dar voz a quem o cinema de Hollywood normalmente não deu durante décadas", podera Marco Souza. A pesquisadora Cecilia Saito, por sua vez, observa o cuidado com os fatos históricos dos filmes dirigidos por Eastwood: "Cartas apresenta fatos históricos e seus aspectos com o devido cuidado de uma produção sem excessos".
Dois filmes produzidos para mostrar ângulos diferentes de um mesmo fato histórico (a grande batalha na ilha japonesa de Iwo Jima), o projeto de grandes proporções encabeçado por Clint Eastwood foi extremamente bem recebido pela crítica especializada. O público, no entanto, não correspondeu a essa expectativa, conferindo a esses dois filmes uma modesta bilheteria. "A idéia de Clint Eastwood de mostrar a batalha pelos dois lados foi acertada. Pouca gente em Hollywood costuma tomar atitudes como essa. Os filmes foram sucesso de crítica, mas não de bilheteria. São produções que mostram que ninguém vence uma guerra", analisa Ricardo Matsumoto.
A professora da Universidade Federal de Goiás e pesquisadora do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP, Clélia Mello vai mais longe, ao relacionar a ideologia política do diretor americano ao resultado das produções-irmãs sobre Iwo Jima. "Clint Eastwood é um político de carteirinha. E uma plataforma discursiva que agrade a 'gregos e troianos' é o sonho dos partidos de centro e, certamente, da indústria de entretenimento. Em quaisquer circunstâncias, não se posicionar é uma atitude política", avalia.
Remakes e o terror japonês
Quem não sentiu pelo menos um ligeiro calafrio ao "mergulhar" nas tramas de O Chamado, O Grito, ou Água Negra? A resposta, claro, vai depender não apenas do ponto de vista do espectador, mas também de qual "versão" ele assistiu: as originais japonesas, ou as "mercadológicamente modificadas" americanas. "Hollywood tem passado por uma crise de criatividade e anda buscando inspiração em filmes antigos e também em produções de outros países. Os filmes de terror japonês se mostraram lucrativos em seu país natal e os estúdios americanos viram esse potencial", explica o editor da revista SET, Ricardo Matsumoto.
As questões que causaram calorosos debates entre o público que aprecia o terror nas telas do cinema se deram principalmente em torno da questão da refilmagem. Afinal, esse tipo de produção tira o mérito da versão original? As alterações que o remake proporciona são bem vistas? "Notam-se diferenças na linguagem cinematográfica japonesa e americana, como por exemplo a tendência oriental de evitar ao máximo os closes, deixando a câmera mais estática, ao passo que a filmagem americana utiliza closes em abundância e muitos efeitos especiais", diz o coordenador de cursos da Educine, Marcos Takeda.
Segundo Takeda, o processo de adaptação das refilmagens é necessário para deixar o roteiro plausível para a cultura de seu público espectador, no caso, o americano. "É preciso amarrar mais as pontas, explicar cada detalhe e, a cada personagem que entra na trama precisa ter suas características. Hollywood tem roteiristas experts nesse tipo de transposição", afirma.
Um dos auges das discussões sobre os remakes do terror japonês parece ter sido quando Hollywood, ao refilmar Água Negra (dirigido pelo brasileiro Walter Salles), decidiu mudar o final da trama. "Walter Salles queria muito mais um drama do que um suspense e os produtores queriam transformar Água Negra em um novo O Chamado", comenta Matsumoto.
"No remake, o foco no 'horror' é amenizado, principalmente no caso de Água Negra. Já a essência da cinematografia japonesa trabalha muito mais essa questão", analisa a professora e pesquisadora Cecilia Saito.
O que fica dessa verdadeira "onda" de remakes que chega ao mercado cinematográfico constantemente é a visão artística e também a mercadológica. "Todo produto cultural pode ser reinventado. O remake é ainda mais válido se traz a curiosidade de se assistir à versão original", opina o professor e pesquisador Marco Souza. "Nos últimos tempos, houve uma avalanche de refilmagens. Não sou totalmente contra isso. Se a produção é feita de maneira respeitosa, ela não tira o valor da versão original", conclui Ricardo Matsumoto.
Os erros de O Último Samurai
A pedido do Zashi, a professora Maria Fusako Tomimatsu, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), analisou algumas cenas do filme O Último Samurai. Veja, abaixo, as observações dela sobre a transposição de conceitos culturais para a película.
• "A questão da honra do samurai no final da Era Edo, às vésperas da Era Meiji, já não era vista com o fanatismo que mostra o filme. Um século de reclusão do Japão ao Ocidente, com exceção do contato com alguns países, tornou extinta a função do samurai como guerreiro.
• "Em uma das cenas da cidade, entre os transeuntes, há a presença de 'gueixas' fora de contexto, bem como de outros figurantes posicionados ali como um 'pout-pourri' figuras humanas."
• "Na batalha no meio do bosque, a vegetação filmada, de troncos e xaxins, é estranha ao clima japonês; bem como as casas japonesas construídas como cenário não condizem com o desenho do relevo do Japão, repleto de montanhas e colinas."
• "Há uma cena em que damas da corte são apresentadas ao fundo vestindo trajes que remetem ao século V. Nesta mesma cena, o jovem imperador, em primeiro plano, está vestindo um traje com o qual jamais poderia aparecer circulando pelos corredores do palácio."
• "Ainda sobre o príncipe, há um momento no filme em que ele aparece vestindo um quimono branco e um hakama vermelho. Essas cores são utilizadas por sacerdotisas [miko] de templos xintoístas."
Escrito por Erika Horigoshi às 22h16
[envie esta mensagem]
[link]
|
Alimentação
Tabelas nutricionais
Especialista dá dicas para entender essas complicadas informações sobre os alimentos
Você sabe se aquilo que anda comendo é, de fato, o mais adequado para o seu organismo? Como ter idéia se, por exemplo, aquele valor diário de referência de 2.500 calorias, estampado em todas as tabelas nutricionais, corresponde àquilo que você consome diariamente? Afinal, você sabe interpretar uma tabela nutricional?
A dieta e a tabela
Por partes. Primeiro, a dieta de consumo diário. "A quantidade de 2.500 calorias é indicada para um indivíduo adulto e saudável, com vida normal", explica o nutrólogo e diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Edson Credídio. Segundo ele, a quantidade do valor total varia de acordo com idade, prática de atividades físicas e índice de massa corpórea. "Com esse valor calórico, dá para comer muito bem. Entretanto, uma nova legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] pretende alterar esse valor para 2 mil calorias diárias", alerta.
Já a tabela nutricional dos alimentos é um aliado indispensável na luta pela escolha das melhores opções de consumo. Para tanto, é necessário entender o que de mais importante ela pode informar. "O principal é observar para que tipo de pessoa é indicado o alimento. Se for para o tratamento de patologias, prefira os 'diet'; se for para perder peso, os 'light', mas sempre escolha produtos que apresentem o SIF - Selo de Inspeção Federal, porque a garantia de qualidade será maior", orienta.
As indicações
Quais são os alimentos de presença obrigatória nas tabelas? "Segundo a Anvisa, os nutrientes são um desses componentes, pois são fundamentais para uma alimentação saudável", afirma Credídio.
Um exemplo: de acordo com o diretor da Abran, um alimento com zero de gordura não apresenta nem gordura, nem proteínas, o que é uma referência importante no momento de elaborar um plano alimentar. "Em um nefropata [paciente com doença renal], deve-se reduzir as proteínas; em um diabético, os carboidratos de alto valor glicêmico; e, em um hepatopata [paciente com patologia no fígado] deve-se reduzir as gorduras. Pela rotulagem correta, sabe-se com segurança o que está presente nos alimentos", argumenta.
Box - Analisando o produto
A pedido do Zashi, o nutrólogo Edson Credídio analisou uma tabela nutricional estampada na embalagem de um pacote de bolacha de água e sal. Acompanhe as conclusões:
"O alimento apresenta grande quantidade de gordura saturada e ausência de vitaminas. A gordura presente é, provavelmente, hidrogenada e prejudicial à saúde. Note que a tabela utiliza a quantidade de 40 g, por unidade do alimento, o que gera uma falsa imagem de baixa caloria. Porém, se fizermos a conta para saber os 100%, ficaremos assustados com seu teor calórico e gorduroso", analisa Credídio. "As fibras estão em boa quantidade, e o alimento é fortificado com ferro; entretanto, possui sobrecarga de sódio, o que é prejudicial ao hipertenso", finaliza.
Box - Informações nutricionais Abaixo, veja o que significam alguns dos principais itens que compõem uma tabela nutricional.
Valor calórico - valor energético pela quantidade de calorias - kcal, unidade que exprime a quantia de energia que um alimento é capaz de oferecer ao organismo.
Carboidratos - grupo de nutrientes que provêem o corpo de energia.
Proteínas - outro grupo de nutrientes com funções estruturais, como formação de células, tecidos, etc.
Gorduras totais - quantidade de gordura de todos os tipos presentes no produto.
Gorduras saturadas - tipo de gordura prejudicial à saúde, por elevar o colesterol do sangue.
Colesterol - gordura produzida pelo organismo cujo excesso é prejudicial.
Fibra alimentar - substâncias que não são digeridas e absorvidas, desempenhando funções importantes no organismo, como a regulagem intestinal.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia
Escrito por Erika Horigoshi às 22h00
[envie esta mensagem]
[link]
|
Turismo 
Cingapura
Beleza e modernidade em uma ilha no Sudeste Asiático
Uma pequena ilha que tem como vizinha a Malásia ao sul e a Indonésia ao norte abriga uma das mais promissoras nações do continente, chamada por estudiosos e especialistas em macroeconomia de "Tigre Asiático": Cingapura. Desde os anos 80, quando, ao lado de Hong Kong, Coréia do Sul e Taiwan, o país recebeu status de economia promissora, Cingapura vem trabalhando em um processo de crescimento contínuo, com índices cada vez mais animadores, e busca constante na interferência e em sua maior visibilidade no mercado mundial.
Percurso histórico
Um país dominado pela economia de mercado, um pequeno território cercado por grandes centros de negócios, Cingapura tem uma história remota a épocas antigas, caracterizada pelo domínio inglês – o território permaneceu como colônia inglesa até 1959.
A influência inglesa e sua política sempre voltada ao comércio e aos negócios conduziu Cingapura a um caminho de evolução econômica semelhante ao ocorrido em Hong Kong. Com isso, sua sociedade ficou marcada pelo dinamismo e, ao mesmo tempo em que tenta preservar suas heranças e suas tradições culturais, também ruma sempre em busca da modernidade.
Quando iniciou seu percurso de desenvolvimento, altamente estimulado a partir da década de 80, Cingapura, a exemplo de seus parceiros asiáticos, decidiu investir na educação e na tecnologia – principalmente no setor de informática – para alcançar a especialização de sua força de trabalho e da formação de seu povo.
Influências e hibridismo cultural
Rica em influências de diversos povos e culturas, Cingapura desenvolveu-se de maneira livre, aceitando o credo a diversas religiões e preservando tradições oriundas de várias partes do mundo.
As religiões cultuadas no país vão do budismo, do taoísmo, do hinduísmo, passando pelo cristianismo e o islamismo. A vasta influência cultural de ingleses, malaios, chineses e indianos fazem de Cingapura um dos roteiros mais procurados pelos turistas.
A riqueza cultural estende-se pela arquitetura de influências híbridas, à gastronomia de tamanha variação, que garante ao país o status de capital gastronômica da Ásia, sem contar as tradições culturais, os festivais, as danças e os costumes, que são uma mistura de todos esses povos geográficamente próximos, ou historicamente importantes na trajetória do país, como é o caso da Inglaterra.
Importância no continente
Quem viaja a Cingapura não corre o risco de se perder em um lugar sem recursos. Entretanto, é preciso ir com o bolso bem abastecido. Conhecido como um dos "vizinhos ricos asiáticos", a fama do país o precede desde séculos anteriores. Além de ter sido o porto mais importante da Rota das Índias Orientais, tal prestígio perdura na região e, atualmente, faz de Cingapura um dos mais países mais caros de todo o Sudeste Asiático. Tal imagem reflete-se nas ruas e nas construções de Cingapura, com seus inúmeros arranha-céus envidraçados de design arrojado e em seus belos cartões-postais, como o Porto de Cingapura e o Distrito Central.
Escrito por Erika Horigoshi às 19h37
[envie esta mensagem]
[link]
|
Educação 
Arte ao alcance de um clique
Museu Virtual das Artes Japonesas é opção para quem quer aprender mais sobre o arquipélago sem sair de casa
"Tour virtual" é uma expressão, que, nos últimos tempos, tornou-se comum para os internautas aficionados pelas artes e atentos a todas as novidades culturais da web. No que se refere à arte japonesa não é diferente. Quem gosta, aprecia e quer aprender cada vez mais sobre as artes do arquipélago pode visitar sites de diversos museus dedicados ao Japão e ter "pelo menos uma idéia", por meio do tour virtual, do acervo, passeando pelas coleções e vendo alguns detalhes "informatizados" sobre as peças principais de cada instituição.
Exclusivo na internet
Entretanto, dominar o idioma japonês não é premissa básica para navegar por todos os sites de museus japoneses, ao contrário do que se possa pensar. Há opções em inglês e algumas são tão interessantes que têm exatamente o "mesmo efeito" tanto para internautas em terras japonesas quanto para aqueles que estão fora delas. Trata-se dos museus virtuais.
No caso do Museu Virtual das Artes Japonesas (The Virtual Museum of Japanese Arts), é possível ter um panorama bem abrangente sobre aspectos emblemáticos da cultura do arquipélago lendo textos em inglês e tendo acesso a fotos e imagens relativas a artes marciais, artes performáticas, bonsai, cerimônia do chá, pintura, escultura e muitos outros assuntos.
Com as artes divididas em categorias - "artes finas", "craft", "artes performáticas", "artes passatempo" (livre tradução de "pastime arts"), "artes marciais" e, finalmente, "outras", categoria que engloba artes variadas, como as bonecas japonesas, os poemas haicai e tanka, entre outras. O site traça um mapa bem organizado das modalidades, com maquetes animadas, como se as categorias fossem áreas de um museu real, e as peças estivessem dispostas em exposição. Há também textos curtos, informativos, e rico apoio visual, com fotos e imagens que se ampliam em um clique e, no clique seguinte, levam o internauta de volta à tela anterior. O endereço é mantido pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão (Gaimushô) e pela Editora Kodansha, que é responsável pelo conteúdo do site.
O tour virtual é tão bem organizado, que vale pelo ingresso e um passeio a um museu convencional. Um passatempo cultural que pode ser desfrutado com o conforto caseiro e a despreocupação de quem não precisa sair depressa, antes de o museu fechar.
Serviço Museu Virtual das Artes Japonesas (The Virtual Museum of Japanese Arts) Site: http://web-japan.org/museum/menu.html
Escrito por Erika Horigoshi às 22h34
[envie esta mensagem]
[link]
|
Entrevista: Cristina Rocha 
Estudiosa do budismo e do zen, Cristina é uma das pesquisadoras mais respeitadas do País nesse segmento. Membro do Centro de Pesquisa Cultural da Universidade de Western de Sydney, Austrália, Cristina está constantemente ministrando cursos sobre budismo no Brasil e no exterior. Autora do livro Zen in Brazil, a pesquisadora mostra, em sua obra, as modificações pelas quais o budismo passou para se adaptar no País. Em meio a sua atribulada agenda, Cristina encontrou um tempinho para o bate-papo reproduzido a seguir.
Erika - Como começou o seu contato com a cultura japonesa?
Cristina - Na verdade, comecei com ikebana, no início dos anos 80, no templo da Soto Shu que fica no bairro da Liberdade, na capital paulista. Na época, não era reformado e grande como hoje. Só tinha eu de brasileira no meio das batyans, era muito engraçado. Eu comecei a ajudar lá e passei a fazer shodô. Então, vi que não sabia japonês, daí comecei a fazer nihongô. Comecei a estudar a cerimônia do chá lá na USP; me formei em 1986 e percebi que essa arte incorporava todas as outras artes japonesas. Comecei o mestrado e escolhi como tema a cerimônia do chá no Japão e no Brasil. Então, pensei no que fazer para o doutorado e resolvi estudar o zen. Ganhei uma bolsa da Fundação Chado Urasenke no mestrado e mais uma da Fundação Japão no doutorado. Fui para o Japão duas vezes durante esse período.
Em 1995, ganhei o prêmio de melhor monografia no evento do Centenário do Tratado de Amizade Brasil–Japão, por uma parte do meu mestrado que falava do chá como difusor da cultura japonesa no País. Com esse prêmio, ganhei outra viagem para o Japão, fiz uma palestra na Universidade de Sophia, visitei a Dieta (parlamento japonês) e publiquei uma edição bilíngue da minha monografia.
Erika - Seria possível definir – em linhas gerais – o budismo difundido no Ocidente? Há diferenças entre ele e o budismo característico do Oriente?
Cristina - Sim, há diferenças. Uma delas é que, no Ocidente, as pessoas "misturam" os papéis do monge e do leigo. No Oriente, quem medita é o monge. O leigo apóia o templo, ajuda, faz doações, cozinha, presta apoio para que os monges meditem e ajudem o templo. No Japão, alguns templos tem sessão de meditação para leigos. Lá, os monges também têm outro comportamento: podem consumir carne, casar e ingerir álcool.
Já no Ocidente, há forte influência do feminismo, muitas mulheres viram monjas, ou viram professoras de dharma. No Oriente, no tempo do Buda, as monjas sempre foram subordinadas aos monges. É importante perceber que existem vários budismos. Não é como o catolicismo, unificado pela figura do papa. Cada país desenvolve o budismo de maneira diferente.
No Japão, há uma linhagem de pai para filho, que herda o templo do pai; trata-se de uma profissão hereditária e isso é natural. Os filhos homens assumem o templo do pai (na ausência de filhos homens, o marido da filha mais velha faz esse papel), e aquele lugar se torna a sua casa.
No Ocidente, o templo não é a casa do monge, nem há a hereditariedade. Os monge e as monjas são igualmente importantes. Há também no Ocidente um forte movimento ecológico budista, pelo qual eles defendem a compaixão e a igualdade das criaturas. Isso já está chegando na Ásia e começando a modificar a atitude dos budistas de lá, com iniciativas de proteção de florestas, por exemplo.
Erika - Um artigo seu faz um paralelo entre a cerimônia do chá e o budismo. De que maneira você acredita que esses dois importantes momentos culturais/religiosos do Oriente se assemelham?
Cristina - A cerimônia do chá japonesa e está ligada ao zen japonês. Nesse artigo, eu falo da relação histórica estabelecida, pela qual os comerciantes – até então casta baixa na sociedade japonesa –, passaram a imprimir toques refinados como um meio para adquirir prestígio diante da elite. Esses comerciantes precisavam se estabalecer socialmente. Para isso, foram estudar nos templos zen, onde aprendiam escrita chinesa, caligrafia, apreciação da pintura e o próprio zen. Criaram um contexto para a apreciação do chá que recebeu o status cerimonioso, criando vínculos com a filosofia zen, daí o paralelo entre o chanoyu (cerimônia do chá) e o zen-budismo.
Erika - De forma geral e utilizando-se de celebridades adeptas dessa religião, a mídia acaba contribuindo para o processo difusor do budismo no Ocidente. Você considera essa contribuição mais positiva, ou mais negativa?
Cristina - É sempre positiva, na medida em que as pessoas ficam curiosas e querem saber mais a respeito do budismo por meios próprios. Entretanto, é uma ação negativa, quando o budismo é tratado como uma simples questão de moda, como uma "tendência" de decoração de ambientes, enfim, tirando toda a sua seriedade.
Erika - Com essa popularização cada vez maior do budismo fora do Oriente, vemos hoje o que se pode chamar de "prática híbrida", que seriam não descendentes adeptos da religião (ou da filosofia budista – no caso, qual seria o termo mais correto?). Sendo uma não descendente e estudiosa do budismo, como você interpreta essa relação?
Cristina - Os japoneses aqui no Brasil já estão na quarta geração. As famílias já estão convertidas ao catolicismo. Assim como os não nikkeis, muitos nikkeis que hoje se filiam ao zen ficaram descontentes com o catolicismo e procuraram práticas religiosas alternativas, passando por várias religiões até chegarem ao zen. A prática no Brasil é híbrida, sim. Por exemplo, aqui existem casamentos budistas, batizados – no Japão, isso é raro, são cerimônias realizadas segundo o xintoísmo, e não o budismo. Os nikkeis budistas de nascimento também acabam tendo práticas híbridas, já que a religião "sai de um local" e "vai para outro"; nesse processo, novos conceitos e características acabam sendo incorporados no processo.
Erika - Você acredita que, atualmente, o budismo no Ocidente trilhe um caminho próprio, diferentemente do que acontece no Oriente?
Cristina - Sim, é um caminho natural. Porém, em razão da globalização, essa "troca" de conceitos, dos trabalhos que são desenvolvidos no Ocidente e no Oriente, acontece de maneira muito mais rápida. E, de uma forma ou de outra, um acaba influenciando o outro.
Erika - Mesmo no Japão atual, há diferenças entre o budismo que historicamente se consolidou no país e aquele que é seguido pelos devotos japoneses de hoje?
Cristina - Hoje, o que acontece é que mudanças no budismo ocorridas aqui na América chegam ao outro lado do mundo e, às vezes, acabam influenciando ou mudando determinadas práticas no Japão mesmo. Da mesma maneira, cada país, por já ter seus costumes religiosos consolidados, tendem a assimilar o budismo de maneiras diferentes. Os EUA são protestantes e o budismo lá não tem tantos rituais. Já no Brasil, país católico, a adoração é algo muito bem aceito pelos devotos; na França, a tradição é católica, o que também influencia a prática do budismo, e por aí vai.
Escrito por Erika Horigoshi às 00h31
[envie esta mensagem]
[link]
|
Roteiro Gastronômico 
Viva o temaki!
Novo estabelecimento em Brasília é especializado nessa delícia da culinária japonesa
Os adoradores do temaki – típico prato da gastronomia japonesa que consiste em um rolinho feito com sushi envolto em folha de alga – não poderiam desejar nada melhor. A Koni Store, rede de temakeria sediada no Rio e com filiais em várias outras cidades brasileiras, chegou, em setembro, em Brasília e já está entre os mais visitados restaurantes da capital brasileira.
Cardápio
As opções vão do tradicional ao mais inusitado possível, passando, é claro, pelos doces como sobremesa. A Koni Store disponibiliza ao cliente desde os temakis mais simples, com salmão, até as inovações assinadas pelo chef da casa, Nao Hara. As novidades no menu da Koni Store são prova eficiente e, dada a aceitação do público da casa, positiva de como é possível adaptar os pratos mais tradicionais da culinária japonesa ao gosto ocidental. Alguns exemplos disso são roast beef de atum crocante ao shoyu e mel, o roast tunna, um dos mais pedidos do restaurante.
Como se não bastassem as misturas muito originais, os temakis do estabelecimento também privilegiam os doces. Alguns dos recheios de maior sucesso entre os comensais do estabelecimento dão uma idéia de quão saborosos eles são: prestígio, morango com nutella, banana caramelada e romeu e julieta – todos trocando o arroz japonês pelo arroz doce e a folha de alga por uma casquinha de sorvete crocante.
Politicamente correto
Outra novidade que a Koni Store traz para o circuito gastronômico em geral é a preocupação com o meio ambiente se refletindo na maneira como os pratos são servidos aos clientes. O restaurante, fruto da sociedade de Ricardo Paternostro, Helio Bernardo Milward, Renata e Gustavo Baars, serve suas iguarias em material descartável (copos e caixinhas). Com isso, um duplo objetivo é alcançado: maior eficiência e rapidez no atendimento e também o incentivo à reciclagem.
Serviço Koni Store Endereço: SCLS 209, Bloco B, loja 39, Asa Sul - Zona 0 - Brasília Tel.: (0xx61) 3244-1378 Horário: segunda a quarta, das 12h às 2h; quinta a domingo, das 12h às 5h
Escrito por Erika Horigoshi às 10h16
[envie esta mensagem]
[link]
|
Especial 
Belas mulheres; porém, cada vez mais parecidas
Asiáticas e descendentes de povos orientais estão incorporando, mais e mais, os padrões estéticos do Ocidente. Seria uma questão meramente de aparência, ou os valores da típica mulher oriental estão em perigo?
Em "A Promoção dos Valores Femininos", um de seus textos a respeito da sociedade contemporânea, Edgard Morin – estudioso francês, considerado um dos maiores pensadores do mundo moderno – escreveu: "Estamos a tal ponto habituados a ver as mulheres pintadas, preocupadas com sua linha, peritas em toilette e em moda, que esquecemos o que significa esse aparato. (...) Essa mulher normal das grandes cidades ocidentais parece como uma meretriz aos olhos das mulheres de Moscou ou de Gorki. Estas não entraram [ainda não] no circuito do erotismo quotidiano que a cultura de massa introduziu em nossos costumes". Morin estava certo; mulheres de Moscou são diferentes das mulheres americanas e européias. Mais ainda, as orientais são diferentes das ocidentais. Porém, o fenômeno que confere características tão específicas às mulheres ao redor do mundo parece estar com os dias contados. Aliás, essa "contagem regressiva" nos padrões estéticos já vem acontecendo; ao que parece, trata-se de um processo simultâneo ao da globalização.
Traços asiáticos, jeitos "americanizados"
Seria xenofóbico preocupar-se com os padrões de beleza das mulheres orientais, banalizadamente cada vez mais parecidas com as ocidentais? Essa polêmica foi "levantada" recentemente no Japão, com a vitória de sua candidata, Riyo Mori, no concurso de Miss Universo. Várias matérias da imprensa local mostraram que a própria sociedade japonesa não classifica a beleza e o comportamento de Riyo, durante a competição, como um modelo do que realmente é a mulher japonesa.
De fato, a vitória da Miss Japão provou que, para sua beleza ser reconhecida do outro lado do globo, várias mudanças foram necessárias. A francesa Ines Ligron, produtora dos concursos do arquipélago que enviam, anualmente, candidatas ao Miss Universo, explicou, em entrevista a um canal de entretenimento americano, qual foi a "fórmula do sucesso" de Riyo Mori. "Resolvemos mudar alguns conceitos. Primeiro, enviamos Riyo para a França, a fim de ensiná-la a etiqueta do Ocidente. Com a verba cedida pelo concurso, fizemos compras em lojas de famosos estilistas, como Gucci, Dolce & Gabbana e Roberto Cavalli. Para completar, fizemos com que Riyo se submetesse mais ao sol, para deixá-la com a pele mais bronzeada, e 'modernizamos' seu cabelo, resultando em uma interessante mistura, mais extrovertida e alegre", conta.
Em anos anteriores, as candidatas japonesas desfilaram vestidos da Maison Kenzo e, invariavelmente, tinham hobbies bem relacionados à cultura japonesa, como o shodo e a ikebana. Miyako Miyasaki e Kurara Chibana, misses que seguiam esse perfil, tiveram boas colocações no concurso, mas a tão sonhada vitória veio apenas com a performance "adaptada" de Riyo.
Olhos orientais na mídia ocidental
Entretanto, algumas mulheres nascidas na Ásia ou descendentes de povos orientais têm conseguido grande destaque na mídia americana e européia nos últimos tempos. Em comum, elas têm uma característica: possuem trejeitos e características físicas que aumentam sua identificação com o mercado ocidental.
A modelo e atriz americana Devon Aoki é um dos exemplos mais "bem-sucedidos" e naturais dessa mistura. Filha de alemã com japonês, a jovem é uma fusão de cabelos castanhos claros, olhos cinzentos e a frágil estrutura do corpo das orientais. Contudo, foi o seu jeito de mulher fatal que motivou o convite para que ela atuasse em Sin City, grande sucesso cinematográfico de 2006. Por ser, talvez, o melhor exemplo da mistura entre orientais e ocidentais, Devon alcançou rapidamente grande prestígio no mundo da moda e da beleza, ganhando o posto de "musa" do estilista Karl Lagerfeld e se tornando o novo rosto da marca de cosméticos Lâncome.
Kimora Lee, por sua vez, é uma mulher de beleza exuberante, também nascida nos Estados Unidos, mas fruto da mistura de familiares coreanos, japoneses e africanos. Ex-modelo de grandes marcas e, hoje, trabalhando esporadicamente atriz, Kimora é um exemplo de como uma mulher com traços orientais pode assumir personalidade e características de mulheres ocidentais. Conhecida por seu jeito dominador, ela também é proprietária de um guarda-roupa cheio de decotes e plumas. Potencializa a cor da pele com sessões de bronzeamento e, freqüentemente, é vista com a cabeleira cacheada. A bela também é polêmica: já foi presa por porte de marijuana e casada com o artista de hip-hop Russell Simons.
No mundo fashion, o maior nome japonês da atualidade entre as modelos é símbolo de altivez e autoconfiança. Ai Tominaga, no entanto, consegue, na maior parte do tempo, conservar suas características físicas de japonesa e fazer delas um diferencial para se destacar no concorrido mercado dominado por feras como Gisele Bündchen, Heidi Klum, Alessandra Ambrósio e Tyra Banks. Sua postura, porém, é carregada de trejeitos ocidentais de segurança, superioridade e até mesmo de extroversão na passarela.
O time das novas femme fatales orientais também conta com o reforço indiano. A bela modelo Ujjwala Raut, com suas roupas colantes e sua maquiagem elaborada, é a primeira indiana a, verdadeiramente, seguir carreira no mundo da alta-costura. Sua aparência tem seus aspectos característicos maximizados em desfiles do porte de Yves Saint Laurent e Dolce & Gabbana.
Escrito por Erika Horigoshi às 18h53
[envie esta mensagem]
[link]
|
Turismo 
Filipinas
País extremamente interessante por suas fortes e variadas influências é mais uma opção de viagem pela Ásia
Que tal uma viagem para um dos menores, porém mais populares países da Ásia? As Filipinas são uma opção de viagem para quem quer conhecer um país de pequenas dimensões geográficas, porém largamente influenciado por várias culturas e cujo povo é o resultado de uma mistura étnica extremamente interessante.
Um raio X da população
Apesar de ser um pequeno país, os filipinos constituem uma população fortemente miscigenada malaias da raça mongolóide. Em termos étnicos, o povo filipino é subdividido em vários grupos de etnias.
Os maiores grupos étnicos são os Tagalog, os Ilocano, os Bicol, os Pampangan, e os Pangasinan de Luzon; e os Cebuano, os Waray-Waray e os Hiligaynon das Ilhas de Visayan. Deu para ter uma idéia da mistura? Com aproximadamente 30% da população, os Tagalog são pessoas nativas da região de Manila e os Cebuano, com aproximadamente um quarto da população, são os maiores grupos.
Idioma e influências
A variedade étnica pode, inicialmente, se apresentar como um empecilho. O filipino, considerado o idioma nacional, tem origem no idioma de Tagalog. Contudo, a língua inglesa, ensinada desde cedo nas ilhas, após a conquista americana, é o segundo idioma mais comum, sendo estes dois os idiomas oficiais do país. Esse fato melhora consideravelmente a condição de qualquer turista no país.
Governado pelos espanhóis durante quase 330 anos, até 1898, a língua espanhola é falada, atualmente, por menos que 1% da população, apesar da longa era colonizadora da Espanha.
O poder de influência americana prevaleceu durante as quatro primeiras décadas do século XX. Durante esse quase meio século, houve no país um sistema educacional de origem americana, o que fez desse idioma o segundo oficial das Filipinas. O chinês é falado por uma minoria imigrante residente essencialmente em centros urbanos.
Completando o quadro lingüístico do país, vale citar a peculiaridade dos cerca de 90 idiomas indígenas e dialetos existentes em território filipino. Dentre eles, apenas oito possuem contam com mais de 1 milhão de falantes cada.
Aspectos culturais
Considerada por muitos como uma das maiores nações asiáticas, o povo filipino tem como religião dominante o catolicismo romano. Há, no entanto, uma parcela relevante de muçulmanos no país.
Fortemente marcada por distinções claras entre ricos e pobres, maiorias e minorias, privilegiados e desprivilegiados, etc., a existência dessas divisões entre a sociedade filipina são parte da herança católica espanhola.
Paisagens
As Filipinas têm cartões-postais privilegiados para os turistas. São cachoeiras, templos religiosos, belos campos para o cultivo de arroz, entre outros. Entretanto, é comum ver também cenários díspares em várias partes do país. Famílias de baixa renda nas cidades alocam-se em ruas sujas com distribuição inadequada de água e esgoto, além de deficientes serviços de saúde pública e a freqüentemente falta de eletricidade em diversas partes.
Os cidadãos mais prósperos de Manila, a capital do país, têm casas próprias tradicionais do estilo espanhol ou de ranchos mais modernos. Todas as cidades grandes nas Filipinas têm áreas residenciais luxuosas. Esses bairros são segregados fisicamente do restante da região por paredes altas de concreto, com vidros quebrados ou arame farpado embutidos no topo.
Gastronomia
A principal comida da maioria do povo filipino é o arroz. Este é completado com peixe e outros frutos do mar, galinha e porco.
Alguns pratos típicos do país são o porco assado em bambu e servido com um molho feito do fígado do mesmo animal. E o bibingka, que é feito de massa de arroz; trata-se de uma sobremesa popular.
Escrito por Erika Horigoshi às 20h36
[envie esta mensagem]
[link]
|
Saúde 
Aquela queimação...
Gastrite é uma inflamação que pode ser causada por estresse e pede cuidados com a alimentação
Aquela sensação de dor e queimação no estômago tão incômoda faz parte do cotidiano de muitos brasileiros. A azia, como é comumente definida, geralmente não vem sozinha. Ela é mais grave e traz consigo sintomas mais desagradáveis quando acompanhada pela gastrite. "A gastrite é a inflamação da mucosa gástrica, o tecido interno do estômago", explica o gastroenterologista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ademar Yamanaka.
Sintomas e estresse
Quem sofre de gastrite apresenta vários sintomas dolorosos, como soluços, perda de apetite, náuseas, sensação de estômago cheio e até vômitos, além da famosa queimação que pode subir estômago acima e chegar até a altura do esôfago. Entretanto, um fator de causa desse tipo de inflamação do sistema digestivo está amplamente ligado ao corre-corre do cotidiano. "A gastrite pode, muitas vezes, ser a conseqüência do estresse, entre outros fatores, e pode chegar ao que chamamos de 'gastrite nervosa", define Yamanaka.
Os outros fatores que também podem causar a inflamação da mucosa estomacal podem estar relacionados à infecção pela bactéria Helicobacter pylori, à associação a outras doenças digestivas e a diversas outras razões que vão do uso de medicamentos irritantes para o estômago, até o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Tratamento
"Recomenda-se ao paciente de gastrite uma alimentação mais leve, que evite a administração de gorduras, frituras e alimentos condimentados", orienta o gastroenterologista da Unicamp. Segundo Yamanaka, bebidas alcoólicas e drogas em geral também devem ser afastados da dieta de um doente de gastrite. "Importante lembrar que as restrições e o tratamento variam de acordo com cada paciente. Há pessoas portadoras de gastrite que melhoram quando incluem uma taça de vinho em sua dieta alimentar e outras não", alerta Ademar Yamanaka.
Dicas para administrar a doença
A seguir, veja algumas dicas do especialista da Unicamp, Ademar Yamanaka.
• Uma dieta tendendo para o vegetariano parece ser a ideal, entretanto, alguns pacientes podem se sentir 'estressados' ao consumi-la diariamente. Isso porque cada paciente deve ser tratado dentro de suas individualidades, e caberá ao médico acompanhar cada caso e realizar um tratamento mais adequado às necessidades de cada um.
• Para saber mais sobre a doença, os pacientes com gastrite podem ler sobre fitoterapia. A administração de algumas plantas pode aliviar sintomas e auxiliar no tratamento da inflamação – sempre com conhecimento do médico que acompanha o caso.
Escrito por Erika Horigoshi às 19h56
[envie esta mensagem]
[link]
|
Animais 
Bichos do bem
Eles ajudam na reabilitação de pessoas e fazem um importante trabalho de companhia a quem precisa
Cobras, aranhas, cachorros e cavalos. Apenas exemplos de animais que podem interagir de maneira benéfica com o ser humano. Estranho? Não, na verdade, essa "turma do bem", quando "treinada" e supervisionada por especialistas, pode trazer alegria a pessoas que já não lembram muito bem o significado dessa palavra.
Interação com os répteis Contrariando a opinião popular, aranhas, cobras e cia. podem ser amigáveis e colaborar de maneira terapêutica com portadores de deficiências. "É possível simplesmente descrever uma aranha para uma criança que nunca enxergou? O trabalho com os animais apresenta essa possibilidade", diz o biólogo responsável pelo Criadouro Pró-Répteis de São Paulo, Fernando Del Nero. Sem fins lucrativos, o Criadouro recebe grupos pequenos, intermediando o contato com animais silvestres acondicionados para o manuseio, tudo supervisionado de perto pelo biólogo.
No "elenco", jabutis, pítons, jacarés, aranhas, entre outros animais. "Todo o trabalho tem a autorização do Ibama e do Conselho Regional de Biologia", assegura Del Nero.
Cavalgando como terapia Cada vez mais divulgada pela mídia, a equoterapia é reconhecida desde 1997 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e auxilia nos tratamentos de reabilitação utilizando o cavalo como promotor de ganhos físicos, psicológicos e emocionais a seu montador.
Representante dessa atividade no Brasil, a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil) age também de forma filantrópica. "Indico equoterapia aos meus pacientes, pois trata-se de método terapêutico de reabilitação e habilitação com aprovação científica, que gera benefícios motores, emocionais, cognitivos, da linguagem e sociais promovendo, portanto, uma melhor qualidade de vida", explica o neurologista Marcos Henrique Coelho Duran, em depoimento no site da Ande.
Companhia para a melhor idade Depois de criar os filhos e deixar a família encaminhada, muitas pessoas já na chamada melhor idade começam a sentir o peso da solidão. Em vários casos já morando em asilos, os idosos mergulham num marasmo que pode até levá-los à depressão. Nesse cenário, entra o Projeto Cão do Idoso. Criado em 2000 para realizar a Terapia Assistida por Animais (TAA), essa iniciativa atua de forma filantrópica e voluntária no atendimento a idosos em suas mais diversas necessidades: emocionais, mentais, físicas e sociais. "Os tratamentos com auxílio de animais têm a intenção de melhorar a qualidade de vida, trazer alegria e amor a muitas pessoas. Essas interações são positivas, pois trazem àqueles que são assistidos o valor e o senso de respeito", afirma Jerson Dotti, presidente do Projeto Cão do Idoso.
Onde aprender A Universidade de Santo Amaro (Unisa) sempre forma turmas para o Curso de Extensão Universitária de Atividade/Terapia Assistida por Animais. Informações: 0800-171796, ou www.unisa.br.
Escrito por Erika Horigoshi às 12h26
[envie esta mensagem]
[link]
|
Alimentação 
Os ômegas do cardápio
Substâncias são gorduras essenciais à alimentação humana e oferecem energia concentrada ao organismo
Por que é melhor comprar uma latinha de atum enriquecida com ômega-3 em vez de uma outra "convencional"? Divulga-se amplamente, principalmente na televisão, que alimentos com essa substância fazem bem à saúde, mas alguém sabe por quê?
Os famosos ácidos graxos... "O ômega-3 é um ácido graxo de cadeia longa", explica a nutricionista Fabiana Carvalho Trovão, do Hospital e Maternidade São Camilo. Entendeu? Não? Então vamos lá. "Ácidos graxos são gorduras fundamentais na alimentação e proporcionam uma grande fonte concentrada de energia ao organismo", esclarece Fabiana.
De acordo com a nutricionista, o ácido graxo ômega-3, assim como o "seu parente" ômega-6 – também muito falado ultimamente –, possui o status de gordura essencial porque não se pode produzi-lo no organismo, portanto, é preciso obtê-lo a partir da dieta (veja quadro Alimentos-ômega).
"O ômega-3 tem propriedades antiinflamatória, antitrombótica, antiarrítmica e reduz as gorduras [como o mal colesterol] do sangue, além de trazer efeitos benéficos, como prevenção de doenças cardíacas, hipertensão, diabete tipo II, artrite reumatóide, entre outras", enumera Fabiana.
Vá com calma! Se você já ficou empolgado e pretende mudar sua dieta alimentar para consumir "mais ômegas", vá com calma. "O consumo de alimentos ricos em ômega-3 deve ser maior do que dos alimentos que contenham ômega-6, uma vez que os últimos produzem substâncias que aumentam o risco de doenças cardíacas, câncer, entre outras".
Segundo Fabiana, é interessante saber que as gorduras exercem funções importantes, mas são necessárias novas pesquisas científicas que comprovem seu benefício ou seu malefício. "Trata-se de um assunto relativamente novo e, a cada dia, novas descobertas são feitas. É preciso a comprovação científica para a segurança da saúde das pessoas", pondera a nutricionista.
Alimentos-ômega Onde obter ômega-3: peixes como salmão, sardinha, cavala e arenque.
Onde obter o ômega-6: óleo de milho, girassol e açafrão.
Observação: é recomendável que o consumo diário seja de 2 mil calorias, uma média de 2 gramas de ácidos graxos por dia.
Dicas para o cardápio De acordo com a nutricionista Fabiana Trovão, receitas fáceis de fazer em casa com alimentos contendo ômega-3 são: saladas de folhas verdes regada com óleo de canola, girassol ou soja com um peixes como salmão ou cavala.
Escrito por Erika Horigoshi às 15h21
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|